Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010

ROMA DO CIMA DA BASÍLICA COM AMOR

 

 

 

La creazione dell’Uomo de michelangelo

 

 

ROMA DO CIMO DA BASÍLICA COM AMOR

Por Rodrigo da Silva

 

Perguntei eu a um romano enquanto esperava por um autocarro na Praça de Veneza, se a Capital se dividia em duas: uma da margem esquerda e outra da margem direita do rio Tibre e ele respondeu-me que Roma é uma Basílica. Com um curto sintagma disse tudo, pois Roma resume-se a um Império  que se firmou pela fé numa Religião ainda hoje pujante, muitíssimo poderosa. Ninguém ignora, suponho eu, a importância das Religiões no futuro dos povos e dos seus subjugadores.

 

A minha pergunta pressupunha uma lógica que não era a dele. A Roma a que me referia era uma Roma com duas margens divididos pelo Tibre, ambas autónomas, e que por isso aparentava duas até à época do general Garibaldi, líder militar e político, que unificou as duas Romas; para o meu esporádico e momentâneo

interlocutor, um romano, certamente da classe média-baixa, sumariou-a noutra perspectiva: uma só Roma sintetizando-as numa só imagem - a da ‘Basílica’ ou do templo, ou do relicário, que é isso mesmo, depois da saída dos cristãos das catacumbas, onde se escondiam do poder político, reconhecida nesse efeito a fé cristã

como religião do Império Romano num primeiro tempo em 313 dC pelo imperador Constantino ao mandar promulgar o Édito de Milão que instituía a tolerância religiosa, beneficiando especialmente os Cristãos, mas reforçou o se estatuto privilegiado em 379-395 o imperador Teodósio I que oficializou o cristianismo nos territórios romanos e perseguiu os dissidentes. Após o seu reinado imperial, os seus filhos assumiram o poder: Arcádio herdou o Império Romano do Oriente, cujo centro político era Constantinopla (antiga Bizâncio), hoje Istambul, ligada institucionalmente à margem esquerda do rio Tibre com um tecido urbano cheio de construções antigas, medievais, renascentistas, barrocas e também modernas, e Honório herdou o Império Romano do Ocidente com capital em Roma, ligada geograficamente à margem direita, hoje contendo o Vaticano, minicidade papal, e muitas outras urbanizações variadas não diferindo muito da outra margem, a não ser na volumetria e número de centros atractivos, nesta mais com excepção deste principado religioso.

 

À época da Roma mais antiga, os autóctones cultuavam um paganismo impregnado dos mitos helénicos, alterando-lhes ligeiramente a substância estórica, todavia, no fundo, não diferiam muito nas suas essências; factos que levaramu alguns historiadores a afirmarem que Roma colonizou a Grécia pela força das armas, mas foram colonizados pela sua cultura. Só o aparecimento duma nova religião monoteísta conseguiu alterar toda filosofia teosófica religiosa do Ocidente, e não podemos deixar de constatar que ela foi extremamente bem sucedida, e de tal modo que o Cristianismo se expandiu com um um poder jamais imaginado, e fez dela rival de outras que no Oriente fizeram a orientação social e política dos seus povos; eram já notórias como são ainda o Islamismo, o Hinduísmo ou o Budismo ou o Judaísmo, para referir apenas as mais importantes.

 

Roma, a cidade das Basílicas, disse esse romano ocasional que se cruzou comigo num diálogo de rua numa curta frase. Por todo o lado as vemos, belas, ogivais, cónicas, cúpulas faustosas e fabulosas, colunas de mármore do mais fino quilate, possivelmente de Carrara, esculturas humanas belíssimas nos seus portais, nas suas fachadas, no seu interior em nichos relevantes, capelas agregadas, frescos aqui e ali, torres altas com sinos em bronze, ornamentando de quarteirão em quarteirão, espalhados em ambas as margens do rio, preponderantemente na esquerda, , logo que transposta a ponte de São Ângelo, para confluírem nesse espectacular conjunto de pedra, granito e mármore que está erigido no Vaticano, uma minicidade dentro de Roma, e que ostenta a Basílica de S. Pedro com a sua miraculosa capela Sistina, que não é mais do que um hino celestial ao amor em Cristo e em Deus e no Espírito Santo. Um génio tornou todo o pormenor esplendoroso: Miguel Ângelo com as suas pinturas e as suas esculturas: a criação do homem na cúpula da capela, além dos frescos da sua parede de fundo e a escultura ‘pietá’ resumem ( por serem o que é mais famoso) demonstram toda a beleza que as suas mãos únicas empregaram para tornarem famoso todo o seu trabalho pelo deslumbre causado em quem as pode admirar. Rafael segue-lhe as pisadas em tudo o que o espírito humano é capaz de realizar na Arte consagrada à harmonia, ao equilíbrio de formas e substâncias e beleza pura. Outros escultores são dignos de nota: Bernini e Caravaggio.

 

Adorei no itinerário que seleccionei, as fontes esculpidas, espectaculares, brotando água pela boca dos animais (os cavalos preponderam) e dos peixes mitológicos, autênticos oásis paradisíacos: as Fontanas de Trevi e a de Navona, assim como o Altar da Pátria na praça de Veneza, o Quirinale, a praça do Povo, a praça de Espanha, contudo, não gostei da comida, e finalmente amei particularmente as pessoas que aí nos hospedaram. Como registo pessoal, apenas refiro que, por muito que me esforce não sou admirador de arqueologia, de ruínas, gosto sim delas quando reconstruídas como acontece na Turquia, quando a visitei há uns dez anos, especial relevo para Éfeso, sendo exactamente por causa disso que, da Grécia, noutra viagem, ainda antes da visita à Turquia, não trouxe a melhor das impressões nem recordações, com excepção de catedral de Santa Sofia. Na verdade, falem-me e deixem-me extasiar por coisas belas no seu máximo esplendor e não em covas mortuárias, pedras escaqueiradas, poeirentos buracos escavados para encontrar um osso ou uma bilha, um colar de missangas escuras, que por muita coisa que sugiram na nossa imaginação, pouco me dizem, propício como sou ao culto da Beleza plenamente finalizada.

 

 

(Crónica repetida por a anterior ter sido apagada desastradamente)

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(Talvez volte a escrever sobre esta cidade noutra perspectiva: a queda do Império Romano, outras quedas e os novos impérios; alguns estilos na escultura mitológica; aqui só ficam as impressões mais ligeiras da cidade bela e eterna), e é só para dar o ar de alguma graça à viagem efectuada que não excluí, por mero acaso, a cidade vermelha ‘Roja’, Bolonha das altas Torres feudais com a sua Universidade famosa e a mais antiga da Europa).

 

Entretanto, entretenha-se, se quiser, pois vale a pena, com a leitura da História da Roma antiga em:

 

{Clique aqui em frente}    -------»»     http://pt.wikipedia.org/wiki/Roma_Antiga

 

 

 

 

 

sinto-me: excelente
música: rdp ANTENA 2
publicado por cronicas-de-rodrigo-da-silva às 07:51
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2 comentários:
De Maria a 9 de Dezembro de 2010 às 22:21
Ir a Roma tem sido para mim um desafio adiado vezes sem conta! Esta crónica açulou em mim o firme propósito de a visitar.
De facto, este é um texto não só com um discurso irrepreensível, mas também assaz profuso em referências culturais e paisagísticas da cidade, resultando, muitas vezes, num visualismo inebriante.
A “crónica” cumpriu-se, e a vontade de visitar Roma tornou-se mais urgente!
De Nadilce Beatriz a 10 de Dezembro de 2010 às 18:30
Cidades que mantém o cheiro e o gosto de povos que ali viveram.
Caminhos que pés desconhecidos fizeram e hoje os nossos passeiam curiosos... Estes pés antigos, por ali lutaram, guerrearam e também tentaram sobreviver.
Cultuamos suas ruínas, seus feitos, e quiçá nossa descendência.
Grande braço.
Bela crônica histórica.
Nadilce Beatriz

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