Quarta-feira, 16 de Junho de 2010

A QUADRATURA DA ELIPSE (1)

 

1. NA RELAÇÃO INTERPARES SOMOS JURÁSSICOS

Crónica de Rodrigo da Silva

 

 

A rivalidade entre pessoas é um atributo da natureza humana oriunda da espécie símia. Os primatas rivalizam o poder, batem-se por ele, e há sempre os submetidos ao chefe do bando. Quem não obedecer que desande! No clã há ainda os que são mais submissos e recebem graças, privilégios e a protecção do dominador, mas esporadicamente há os que se rebelam e esses merecem castigos mais ou menos exemplares para que obedeçam à ordem estabelecida, imposta superiormente. Assim como há outras armas de ataque e de defesa para o dominador (aquele que está na mó de cima): o desprezo infligido ao irreverente e/ou a obstrução à sua acção e ao seu pensamento por intermédio dos seus mais fiéis seguidores. Efectivamente, ostracista é a maioria dos subchefes que ladeia o Chefão.

 

É assim o mundo desde há milhões de anos, no mundo animal, topo onde o homem se coloca depois de ter havido todas as evoluções corporais a que se submeteu até hoje, e algumas mentais, para não divergir das leis naturais da natureza. Corporalmente, ele é o que é, com cores diferentes, com estaturas diversas, mas no que respeita ao seu comportamento no relacionamento interpares, ou seja, com os demais, não divergiu da primitividade. Há hodiernamente o dominador e os dominados pelo poder que vem do dinheiro, e outro paralelo que se obtém pela sabedoria que faz o que pode e quando pode. Mas, o primordial é o dinheiro, que compra bens e serviços, corrompe os mais imaculados, deslumbrados e rendidos aos privilégios, devidos à recepção e outorga de alguma delegação desse poder, ainda que saibam que são marionetas com pouca possibilidade de escapar às regras impostas pelo poder financeiro. Mas, não foi sempre assim. como é nos tempos hodiernos. Outrora, os chefes militares dos impérios até à queda do império romano, apresentavam características especiais de homens corporalmente possantes, aliadas a um forte dom de dominação. Depois dessa queda, a romana, em que um imperador era um deus, os chefes ascenderam ao poder por jogos palacianos, disputas de famílias poderosas, ou vontades de grupos com membros elitistas associados, elegendo o seu chefe, e ainda outros subiram ao poder pelo dom da palavra, da oratória e da demagogia. No entanto, nos dias hodiernos, o poder é outro - advém do dinheiro e é este o império que se globalizou. As guerras actuais, como as antigas, são utilizadas a favor do poder económico, um sucedâneo do financeiro (ele vive deste), obedece-lhe porque está submetido às suas imposições. Aliás, além disso, ambos andam sempre enamorados por favores concedidos, muito embora desconhecidos a curto prazo. 

 

Que isso não faz sentido nenhum racionalmente, para alguns intelectuais, não importa, é assim mesmo; ainda não ultrapassámos o estado bruto de estarmos sujeitos a pessoas que abusam do poder, pessoas que se aproveitam dele até à exaustão, acima da Lei dos homens e da Ética universal, acima da Justiça e dos Direitos dos livres cidadãos.

 

Mesmo quando digo estas verdades, o leitor pouco exigente consigo, é capaz de dizer: pois claro, é assim mesmo, não há dúvida que somos assim; na verdade, ainda não ultrapassámos a incapacidade de mudar psicoarquétipos, modelos de comportamento, práticas individuais e/ou sociais. Continuamos sociologicamente submetidos a algumas características dos primatas com todos os aspectos pouco racionais que os tipificam. Quem inventou essa do «homo sapiens» conseguiu inventar uma piada inaudita, uma surrealista ideia fenomenal, um sofisma filosoficamente inintelegível, a mais ridícula possível de se criar, contudo, irónica e paradoxalmente, sustenta-nos um orgulho imenso, uma vontade enorme, por mais incrível que pareça, de nos olharmos ao espelho, quando na verdade é uma mentira pespegada, espatafúrdia, burra. Do lado de lá do espelho está um leão, todavia do lado de cá está um gato… dos mais manhosos e rafeiros.

 

Mudou-se tanta coisa neste mundo pela capacidade da investigação, de abstracção, da invenção, da inovação, da criatividade e pela evolução científica. Mas no que se refere ao funcionamento das relações sociais afectivas, o homem é um bicho igual aos outros. Igual aos jurássicos. Sapiente numas coisas (as que já mencionei), porém, burro e estupidificado no comportamento entre pares e na sociedade de que faz parte.

 

15 de Junho de 2010

 

(Seguir-se-á muito brevemente uma crónica (segunda parte) que questiona, na sequência do comportamento jurássico e símio levantado na problemática exposta atrás, alguns defeitos humanos, mas então numa área muito restrita : a inveja e a hipocrisia entre Escritores e Poetas)

publicado por cronicas-de-rodrigo-da-silva às 18:37
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