Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2011

REGRESSÃO NA CIVILIZAÇÃO, ISSO NÃO!

 
Pelo pão os homens deixam-se matar. São arregimentados para a guerra, tendo como motivação não morrer de fome e/ou de frio, procuram as migalhas do espólio para se saciarem, fazem à sucapa pequenos furtos à margem dos maiores; os maiores são perpetrados pelos chefes, e os máximos ainda são para os líderes. Os pequenos furtos são castigados com a prisão, os máximos ficam impunes. Irónico, não é? Absurdo? Foi assim em toda a História. Foi assim que os reis se tornaram imperadores, foi assim que a mole humana se deixou arrebanhar e deixou-se conduzir para matanças desumanas e genocídios horrorosos. O pai é capaz de assassinar o filho e vice-versa.
 
Falo de desumanidade e não de humanidade. Sendo esta aquela e aquela outra coisa igual, pouco importa a ordem por onde se lhes pega. O que aconteceu desde os primórdios da Humanidade, repetiu-se no século transato, e nada nos garante que o mesmo não aconteça nos próximos séculos. Claro que os impérios foram todos efémeros, ainda que alguns perdurassem por algumas décadas ou séculos. Na proporção dos milénios podemos considerá-los assim: são de curta duração.
 
Depois da chamada segunda guerra mundial, no entanto, e face ao avanço da ciência, do conhecimento filosófico, da cultura geral de alguma parte dos povos diferentes e da tecnologia os impérios estagnaram tentando a solidificação, resultando disto uma potência toda poderosa a que chamamos EUA. Lidera, impõe e rege sem que ninguém note aparentemente a sua força. É a força do dólar, a que impera. Dólar que põe a funcionar uma indústria de armamento sofisticado muito superior à de qualquer outro País. Só agora a China começa a aproximar-se na quantidade e qualidade do armamento. E a ameaça duma guerra global não pode ser posta de parte. Mas quanto ao poder americano ele é ingente; poder tal que vai ao Afeganistão e o submete, liquida o principal opositor Bin-Laden no interior do Paquistão, e devasta o Iraque enforcando o seu chefe Hussein. A isto chama-se o domínio norte-americano no planeta. Diz-se para disfarçar que é o poderio ocidental, metendo-se no meio a ONU. O que aconteceu na Líbia é fruto também dessa liderança. Duvido muito, todavia, que se o Médio-Oriente não fosse a região petrolífica que é, os EUA se interessariam por intervir pelo pesado custo que isso lhes trouxe. E no caso do inóspito Afeganistão a razão principal foi a ameaça que o terrorismo taliban estava a tecer contra a cultura ocidental, tendo esta assistido a essa nunca imaginada humilhação que foi o atentado às torres gémeas com a proporção incrível de mortes a que todos assistiram. Humilhação essa a que tinham de dar resposta, como deram. O mundo está a mudar, todos o reconhecem garantidamente. E está cada vez mais inseguro.
 
Com toda a evidência, em suma, a força do domínio armado criou a força do dólar. E a Banca é um instrumento a favor do Império. Os banqueiros da elite cimeira ditam a ordem monetária, a ordem dos negócios, a geografia das nações, a ordem internacional, a política escolhida, esta que também em retribuição lhe dá a força com que se alimenta.
 
A coberto da moda política vigente no Ocidente, com a qual a própria Grécia se confronta, e sendo, por ironia, ela a terra da sua origem programática, a chamada democracia dos megarricos e não a da maioria das populações regionais ou planetárias, o quadro geográfico desenha-se, e foi-se alterando, um pouco aleatoriamente, no decurso das décadas passadas. Democracia esta, como poder popular, não é certamente. O povo nunca deixa de ser o que as elites querem que ele seja. As elites querem que ele lhes obedeça cegamente, querem que ele feche os olhos às manigâncias que elas engendram, que tolere a corrupção, que tolere os negócios escuros, que não ligue ao tráfico das influências, que permita a fuga aos impostos para as off-shores e outros delitos criminosos, que legisle mal quando a lei só favorece o seu poderio, e que quando for necessário se faça regredir a civilização, como está a acontecer. O povo continua a morrer pelo pão, pelo cobertor, pelo agasalho, pela sobrevivência.
 
No Báltico, particularmente na Escandinávia, há povos que já há muito se rebelaram contra esta situação degradante de toda a ética social. São em conclusão um exemplo que é preciso seguir. Eles dão o mote: quanto mais vigiadas forem as elites da ganância incontrolada, e, depois de detetadas, forem postas no lugar que lhes cabe e compete em qualquer região do mundo pela intervenção da cidania constituída, mais as nações exemplares serão objeto de admiração; e elas são-no sem dúvida nenhuma.
sinto-me: BEM
música: ANTENA 2
publicado por cronicas-de-rodrigo-da-silva às 16:27
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