Terça-feira, 10 de Junho de 2014

SUBCULTURAS (Ibéria e Américas)

O jesuíta P.e António Vieira

SUBCULTURAS PARTILHADAS POR TERRAS DA IBÉRIA,

EXPANDIDAS PELAS AMÉRICAS
 
 
 Vivenciamos na Literatura e, até certo ponto, na sociedade peninsular ibérica um tempo de apaziguamento, compreensão e aproximação entres as várias subculturas que se estendem desde a Catalunha, a Portugal e Galiza. Não passa despercebido a ninguém, sobretudo a quem vive nas regiões do Minho, Beiras e Douro que há uma estreita ligação entre as Literaturas oriundas da Galiza e Norte de Portugal (recorde-se que as raízes filológicas são comuns: o latim vulgar gerado em dialecto - o Galaico-Português), depois expandido pelo centro do País, incluindo Lisboa, e por simpatia pelo Alentejo. Muita dessa consciência partilhada foi despoletada pelo ideário de Miguel Torga, ou seja, foi este poeta e escritor que focou especial atenção nas suas raízes telúricas; explicando melhor: estas não se limitavam às fragas de Trás-os-Montes, mas estendiam-se por todas as cordilheiras que a Leste se rendilham, só terminando nos Pirinéus. Pois, à Ibéria dedicou poesia muito valiosa.
 
Esta noção de Ibéria comum a todos os povos desta Península, haveria de constituir um coro empático em vários escritores  e ensaístas, e não é displicente nomeá-los neste espaço de aquém e além fronteiras: Miguel Unamuno, Fernando Pessoa, José Saramago, estes os mais conhecidos, mas há ainda outros.
 
A verdade é que de uma Catalunha evidenciada pelas suas características naturais viradas essencialmente para a orla mediterrânea, e, por outro lado, a Galiza, Leão, Navarra, Biscaia e Castela, há uma diferença bastante acentuada entre aquela e estas, que as especifica; e em relação a Portugal, aquela só se aproxima pelas características históricas e climáticas compreendendo nesta amplitude a Extremadura, Andaluzia, o Alentejo e o Algarve, mesmo assim considerada esta afirmação com alguma bonomia ou vontade benfazeja, e sempre por uma evidência intuitiva, que não menoriza alguma intersecção de difícil medição.
 
Os maiores adjuvantes à hipotética construção literária luso-hispânica com uma forte dose de interligação são os escritores Gil Vicente (que nos séc.s XV e XVI redigiu nas duas línguas e foi devidamente relevado na Literatura do País vizinho), e Miguel Unamuno, que, presidindo à reitoria da Universidade de Salamanca, procurou entender a idiossincrasia portuguesa; este poeta, escritor, ensaísta espanhol referir-se-ia a nós como um povo triste numa triste e deslumbrante natureza, capaz dos maiores arroubos de paixão, mas também um povo suicida, remetido no início à loucura bélica de Alcácer-Quibir, depois, à insatisfação pelos reinados dos Filipes (que não foram tão maus como se apregoa), e às crises económicas sistemáticas, mal julgadas como de natureza endémica, um povo finalmente que não encontra nenhuma boa via renovadora para sair da sua letárgica pobreza; uma pobreza que não pode ser considerada como destino fatal intemporal, pois esse pendor mítico foi vencido noutros povos da Europa com iguais recursos naturais e uma dimensão semelhante ou até mais diminuída, nomeadamente Suíça, Holanda, Dinamarca e Luxemburgo. Acrescentamos que os destinos do País foram causados, sem assunção, e escondidamente, em Lisboa pela realeza nacional e por interesse estrito dela-mesma, assim como (depois da Monarquia) da burguesia ali desde sempre instalada à sombra do poder, recebendo dela protecção e benesses. O povo andou sempre a navegar cegamente instigado e conduzido pela ideologia dominante nacionalista-guerreira, da qual eles eram senhores e mestres, os oligarcas e os plutocratas.
 
São curiosas estas tentativas de definir o carácter identificativo dos povos; é que elas só vingam por serem datadas no tempo. Porque hoje não se adequam ao tempo e ao espaço presentes, dado que os povos evoluíram (eles evoluem de geração em geração, ainda que muito lentamente).  Povos cheios de soberba, ignorando no entanto no caso português a sobranceria, isso são, bairristas, sectários, arrebatados, os espanhóis todavia mais expansivos, alegres, ruidosos e sem a tendência miserabilista do passado, enquanto os portugueses sofrem ainda de muita apatia que não ajuda a alterações significativas do seu modo de ser e estar no mundo, contudo estão mais interventivos no presente, começando a exercitar uma nova vontade de agitar movimentos culturais de cidadania responsável; a tristeza ainda não deixou de lhe caber e a tendência suicida também não desapareceu completamente, consequências da pobreza que continua a grassar de crise em crise políticas, produtos de má gestão económica que nunca projectou séria e tenazmente o futuro da Nação a médio ou longo prazo.
 
Não é falho de senso comparar o povo português ao burro de cargo como fez Guerra Junqueiro há mais de um século. Burro, besta teimosa, torto, que só vai onde lhe apetece por mais porrada que leve, contudo aceitando sem queixa e na maior parte do tempo, a chibata, para ir onde o capataz manda. Foi isso que aconteceu na expedição guerreira de D. Sebastião, na colonização de outros continentes, em La Lys, na implantação da República, na ditadura salazarista e na opção pela República semi-presidencialista partilhada com a democracia parlamentar. Foi Guerra Junqueiro o mais contundente crítico da República há cem anos atrás, e não é por acaso que ainda hoje se recorre frequentemente a este escritor e poeta para caricaturar o povo, aferroando-lhe o espeto da indignação para que reaja ao jugo. Por amor.
 
Contudo, não é elegante, nem totalmente justo, dizer nos tempos hodiernos que o indígena da Pátria portuguesa é burro, imbecilizado, macambúzio. O que é preciso saber é a razão de tanta calamidade. O País tem sido dominado por elites políticas a consentir encorajar o seu estado de subdesenvolvimento secular, retirando daí proveitos chorudos, eticamente condenáveis . A tristeza está associada a essa imbecilidade, interligam~se numa espécie de causa e efeito mútuas que nem se sabe qual é a predominante. A orientação política escolar não propicia a que o autóctone se prepare para a vida prática e o transforme consequentemente num programado modelo de homem produtivo, disciplinado e eficaz.
 
Quando Paula Rego este ano numa exposição sua em Lisboa dizia que encontra nos contos populares o gérmen da sua arte pictórica, não é displicente ou inócua a seu tom contundente. São de todos os contos que leu nesta e noutras literaturas, os que melhor descrevem a fealdade e a monstruosidade dos nossos carácter e temperamento. Lembrei-me da dama pé de cabra e do «gajeiro», que rebenta à instantânea presença do sinal da cruz. Efectivamente, a doideira pode estar nos actos eleitorais de alguns municípios do País, onde candidatos com lastro e cadastro criminais se apresentam a eleições e ganham-nas. São abencerragens, aberrações tribais, resíduos de monstruosidades seculares. Estórias vergonhosas e ridículas para as populações visadas. Todavia, este aparte aqui encaixado não caracteriza a totalidade dos gostos particulares na lusovisão estética.
 
Um outro aspecto que vale a pena focar, nos traços singulares que nos caracterizam, é o sebastianismo cantado em Camões, assinalado em Garret, e reiterado em Pessoa. A pequena e média-burguesia sempre esperou «o desejado» especialmente nos momentos das crises sistemáticas que tem varrido a memória nacional. Elas nunca deixaram de aspirar a um salvador vindo da bruma, imagem moderna que Cesariny sintetizou magistralmente numa das tiradas poéticas mais curtas e surpreendentes da nossa História literária, com dístico alegórico que reza assim: «queria de ti um país de bondade e de bruma / queria de ti o mar de uma rosa de espuma». Este monumento frásico está prenhe da História lusitana.
 
Verdade é que tem havido alterações significativas no comportamento colectivo dos portugueses: são mais sociáveis, mais interventivos, mais alegres, ainda que não se comparem aos espanhóis! São calmos, menos apostólicos, mais empreendedores do que há trinta anos atrás. Estão abertos à tecnologia moderna, avançam nela rapidamente. Embora sejam sentimentais, são capazes de se decidir pelo abandono relativo do rincão natural, e emigram com facilidade e desenvoltura. Aliás, parece estarmos num País condenado à emigração, e, quando emigrados são pacíficos, respeitadores, simpáticos e afáveis, cumprindo as funções a que são destinados com lealdade e afinco. Não poderemos esquecer o forte sentimento de saudade que os acomete e os obriga a regressar ao País natal nas férias ou sempre que pode.
 
A talhe de foice, há ainda alguma a dizer: o gesto do «vai-te foder» de Bordalo Pinheiro não está completamente interpretado, assim como o dichote «mandar abaixo de Braga»; são manifestações passivas que mereceriam engendrar uma repercussão activa, pois o que pretendem é produzir uma reacção pró-activa em cadeia no sentido de tornar este País numa escola de civismo. Ou seja, torná-lo numa terra de solidariedade, de participação e de opção por acções concretas reformadoras das mentalidades dos senhores governantes: fazê-los repensar nos psico-arquétipos que os tornam vulneráveis e rapaces, uns espertos saloios maravilhados pelo poder que os corrompe, perdendo as boas teorias e práticas da moral e da ética, esses valores cultivados nos Homens de antanho, que deveriam presidir nas relações entre eleitos e eleitores (são as tais contrapartidas dos negócios de Estado a servir para financiar partidos e enriquecer o património dos decisores políticos, e a ocupação de chefias em Empresas públicas, semi-públicas e até privadas com características de monopólio, apoiadas pelo governo, que sustentam os barões da política bem aconchegados nos mais altos cargo da Nação, por artes secretas fruidores de escandalosos salários, com direito a reformas milionárias). É este o regime em que vivemos, que apoia uma Justiça que não funciona, como é evidente por ser couto das manigâncias dos influentes e dos videirinhos. E num País onde a corrupção ainda campeia, são os contribuintes da pequena e média burguesia que pagam todo o desperdício e esbanjamento dos que usam a esperteza da ratice, para os debitarem à conta dos cofres do Estado. O modo como o sistema bancário funcionou e colapsou a Economia mundial, no final desta década, pôs todos os cidadãos responsáveis e conscientes de atalaia; este panorama surrealista, dominado pela ganância dos cifrões, com a displicência e tolerância criminosas das supervisões bancárias adstritas aos Bancos Centrais, é a prova de que os Estados se deixam facilmente assaltar por uma Escola moderna de delinquentes altamente qualificados, que não se contenta com os privilégios de que gozam desde há muito, aceites desleixadamente pelos governos ocidentais; esses banqueiros são capazes de levar o Estado à bancarrota, e ainda, ao arrepio da racionalidade humana, são recompensados com o dinheiro dos sacrificados contribuintes fiscais, martirizados pelo Fisco, beneficiam ainda ilogicamente de colectas reduzidas e fogem à tributação através dos paraísos fiscais, criados para esse efeito e ao seu dispor.
 
Para terminar este artigo, direi apenas o seguinte: desde a perda das colónias pelos dois Países peninsulares e depois do hastear da bandeira pessoana, traduzida na expressão de que a sua Pátria não se reduzia mais a este atávico rincão diminuto, escavado como fortaleza montanhosa na orla mais ocidental da Europa, mas sim, e numa dimensão mais ampla, abarcava a Língua Portuguesa, falada pelo mundo; começa recentemente a surgir, não só rudimentarmente mas também subtil e lentamente por enquanto, um novo movimento, que deseja dar voz à boa vizinhança, à empatia e à aproximação entre os povos que abrangem as subculturas ibéricas e as subculturas americanas.
 
Projectadas as duas Línguas pelo novo continente com a colonização, hoje extinta, desse espaço americano, e activadas pela nova força tecnológica: a Internet, com motores de busca e pesquisa poderosos, tais como a Google e Yahoo, capazes de informar em todas as áreas do saber, duma maneira como nunca aconteceu na História da Humanidade, a tendência actual é conducente à aproximação, enlaçamento e convívio numa inter-acção que enriquecem e unem esses idiomas; especialmente quando aceitam e partilham novos ideários filosóficos, políticos, estéticos e programáticos. A Arte com todas as suas manifestações expressivas pouco foi mais do que um produto autóctone de dimensão reduzida, confinada ao conservadorismo secular duma região restrita, mas, por força da edificação moderna, é hoje uma incessante renovação mais ou menos consensual, uma regeneração ansiada, uma unificação global na concretização de utopias, geradas pela pureza emotiva dos seres humanos mais esclarecidos desta Civilização.
 
(O texto apresentado, atrás digitalizado, não faz a história pormenorizada das considerações nele sintetizadas. Ao pretender ser uma síntese de muitas leituras efectuadas, e delas obtendo conclusões pessoais, não deixo de transcrever em rodapé, alguns trechos que fazem amostra da orientação contemplada.)
 
1. “O espírito ibérico é uma fusão do espírito mediterrâneo com o espírito atlântico, por isso as suas duas colunas são a Catalunha e o estado natural galaico-português”.
Fernando Pessoa, “ Da Ibéria e do Iberismo” in Textos Diversos IV – Obras de Fernando Pessoa, Lisboa, Multilar, vol. IX (Prosa), 1990, pp. 69-100, especialmente p. 73.
 
2. “Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. [.]Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.”
Guerra Junqueiro, “Pátria”, 1896.
 

3. « Um assumido iberista Em parte da sua obra Miguel Torga assume um certo iberismo: « a minha pátria cívica acaba em Barca de Alva, (...) a minha pátria telúrica nos Pirinéus.», a explicar a sua filosofia.  Perdidos os impérios coloniais, findas as ditaduras que emergiram da crise finissecular nos dois países, criada a União Europeia, que relações para estes dois estados que desde há muito partilham alegrias e as suas tristezas? O que Torga propõe passa pela reivindicação de um legado cultural e um destino comuns para as pátrias de Camões e Lorca, poetas que lia e admirava. Para Torga a Península Ibérica deve ser uma colectividade de nações unidas telúrica e espacialmente num único espírito. Escreveu, este médico feito poeta : «trago torgas à rosa de Granada» e «enquanto houver poesia continuará a existir vida e o povo na Ibéria.» Torga: historiador que antecipa a história? Visionário? Profético? Pro-Europa, assumido! PESADELO DE D.QUIXOTE Sancho: ouço uma voz etérea Que nos chama… Ibéria, dizes tu?!... Disseste Ibéria?! Acorda, Sancho, é ela a nossa dama ! Pois de quem hão-de ser estes gemidos?! Pois de quem hão-de ser?! Só dela, Sancho, que nos meus ouvidos Anda o seu coração a padecer… Ergue-te, Sancho! Quais moinhos?! Quais?! Ai! Pobre Sancho, que não sabes ver Em moinhos iguais Qual deles é só moinho de moer »

Colóquio Miguel Torga – dias 17 e 18 na Fundação Calouste ...

4. Entrecruzando duas áreas de trabalho, a cultura e a literatura, Sara Reis da Silva propõe-se estudar o iberismo cultural em Miguel Torga, o poeta que se considerava «filho ocidental da Ibéria» e, «pela graça da vida, peninsular».

Para tanto, parte da procura dos valores semântico e operatório da noção de iberismo cultural (empreendida também por autores como D. Sinibaldo de Mas y Sans, Oliveira Martins, Magalhães Lima, António Sardinha ou Natália Correia) para um estudo das «referências mais ou menos explícitas às duas nações peninsulares como um todo indissociável» que aparecem na obra literária de Torga, desde «Diário» e a «A Criação do Mundo a Portugal», «Traço de União», «Poemas Ibéricos e Alguns Poemas Ibéricos».

5. «... não existe um escritor mais ibérico que Miguel Torga, o qual dizia que a sua pátria

cívica acabava em Barca de Alva, mas a sua pátria telúrica terminava apenas nos Pirineus:

É preciso reconhecer que, passados os Pirineus, o ar é mais leve, a terra é mais fecunda, a

paisagem é mais doce. Mas eu prefiro o pesadelo, a pobreza e a agressividade do outro lado.

[...] Há uma grandeza que se não mede em calorias e salamaleques. É coisa mais profunda e

significativa... Ora essa grandeza tem-na a Espanha, faminta, esfarrapada, a arder em febre

desde que nasceu (Torga, 1955; 126).»

Miguel Torga: a paixão e a história poética Ibérica

6. « Não é por acaso que mais de um terço do texto do ensaio intitulado "Un pueblo suicida", escrito em Lisboa em 1908 e integrado em Por tierras de Portugal e Espanha, é constituído por uma carta de Laranjeira, ele próprio um futuro suicida. Mas não se pense que, para Unamuno, Portugal é um país de suicidas apenas porque se suicidaram alguns dos nossos mais notáveis escritores (Antero e Camilo, nomeadamente). Portugal é um país suicida porque deixou de olhar para o futuro, de ter um verdadeiro ideal nacional. Para o reitor de Salamanca, o povo português, meigo na aparência, era, no seu íntimo, violento e apaixonado. A sua condenação à inércia metamorfoseava-se em impulso suicida (passo a citar pela tradução de José Bento: "A paixão trá-lo à vida, e a própria paixão, consumido o seu alimento, leva-o à morte. Hoje o que lhe resta? Dentro de uns dias, em 1 de Dezembro, celebrar-se-ão as festas da restauração da sua nacionalidade, de ter sacudido a soberania dos Filipes da Espanha. No dia seguinte voltarão a falar de bancarrota e de intervenção estrangeira. Pobre Portugal!"»

Miguel de Unamuno e o seu amor a Portugal.

7. Este soneto de Unamuno foi publicado n’A Águia em Fevereiro de 1911.
Del atlántico mar en las orillas desgreñada y descalza una matrona se sienta al pie de sierra que corona triste pinar. Apoya en las rodillas
los codos y en las manos las mejillas y clava ansiosos ojos de leona en la puesta del sol; el mar entona su trágico cantar de maravillas.
Dice de luengas tierras y de azares mientras ella sus pies en las espumas
bañando sueña en el fatal imperio
que se le hundió en los tenebrosos mares, y mira cómo entre agoreras brumas se alza Don Sebastián, rey del misterio.

(Este soneto iniciou certamente a inspiração da colectânea de poesias da «Mensagem» (Fernando Pessoa) como facilmente se percebe.)
 
8. «Quando olhamos para a Península Ibérica o que é que vemos? Observamos um conjunto, que não está partida em bocados e que é um todo que está composto de nacionalidades, e em alguns casos de línguas diferentes, mas que tem vivido mais ou menos em paz. Integrados o que é que aconteceria? Não deixaríamos de falar português, não deixaríamos de escrever na nossa língua e certamente com dez milhões de habitantes teríamos tudo a ganhar em desenvolvimento nesse tipo de aproximação e de integração territorial, administrativa e estrutural.»
José Saramago
sinto-me: bem
música: Antena 2
publicado por cronicas-de-rodrigo-da-silva às 17:35
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